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Seguidores à Custa da Dor: a nova face da violência online

  • 13 de fev.
  • 3 min de leitura

O que está por trás dos vídeos de maus-tratos a animais que viralizam nas redes sociais



Fotos: Acervo Internet


Nas últimas semanas, casos em que jovens aparecem em vídeos cometendo maus-tratos contra animais chamaram a atenção e causaram revolta nas redes sociais. Um exemplo recente é o caso do cão Orelha, em que adolescentes agrediram um cachorro e as imagens viralizaram no Instagram e TikTok, provocando debates sobre punição e comportamento nas redes.


Mas por que esse tipo de conteúdo chega a milhões de visualizações? A resposta envolve fatores psicológicos dos autores, dinâmica das plataformas, incentivos econômicos e a forma como públicos reagem à violência.


1. A busca por visibilidade e lucro

Nem todos esses vídeos surgem por “brincadeira inocente”. Pesquisas indicam que alguns criadores de conteúdo exploram diretamente a violência contra animais para gerar engajamento e, com isso, lucro. Um estudo mapeou mais de 400 vídeos de abusos contra animais em plataformas como YouTube e mostrou que muitos canais monetizaram esse tipo de conteúdo — juntos, geraram mais de US$ 1 milhão com anúncios e visualizações.


Alguns criadores inclusive usam animais em situações de risco ou sofrimento intencionalmente para depois se apresentar como “heróis” ou “resgatadores” nas redes — uma estratégia conhecida como “falsos resgates”. Esses vídeos chegam a centenas de milhões de visualizações e incentivam aos espectadores queiram ver mais.



2. A dinâmica das redes sociais amplifica o conteúdo chocante

As plataformas sociais funcionam com algoritmos que priorizam o que gera mais interação — likes, comentários, reações e compartilhamentos. Conteúdos chocantes ou emotivos tendem a disparar esse engajamento, o que faz com que sejam exibidos para mais pessoas. Vídeos com maus-tratos a animais, por chocarem ou provocarem reação, muitas vezes recebem mais alcance do que vídeos educativos ou de cuidado.


Estudos científicos sobre vídeos que mostram sofrimento animal revelam justamente isso: o engajamento aumenta com o impacto emocional das imagens, até quando os próprios espectadores não levam em conta o bem-estar dos animais apresentados.



3. Falta de empatia e fatores psicológicos

Especialistas em comportamento afirmam que, em alguns casos, esse tipo de conduta — tanto a criação quanto o consumo — está ligado a questões profundas na percepção moral de jovens. A falta de empatia, a necessidade de afirmação social e a pressão por reconhecimento podem levar adolescentes a perpetuar comportamentos éticos problemáticos.


Para muitos, a câmera funciona como um espelho distorcido: a presença do público e a perspectiva de muitos seguidores podem encorajar atitudes que jamais fariam na vida real, mas parecem “válidas” quando associadas a números de visualizações e curtidas.



4. Normalização da violência nas telas

Outro ponto crítico é que a violência contra animais, quando retratada repetidamente, pode começar a parecer “normal” para quem assiste sem contexto. Relatórios de organizações de proteção animal apontam que vídeos de animais exóticos como pets ou em situações de sofrimento contribuem para a ideia de que esses comportamentos são aceitáveis — o que alimenta demanda por animais silvestres como objetos de entretenimento.


Isso reforça um ciclo: quanto mais o público consome esses conteúdos sem rejeição clara, mais eles são produzidos.



5. O papel — e as limitações — das plataformas

Plataformas como YouTube, Instagram e TikTok têm políticas contra violência criminal e maus-tratos a animais. Mas a remoção de conteúdo depende muito de denúncias dos usuários e da eficiência dos sistemas automáticos de moderação — que muitas vezes falham em identificar cenas de abuso ou encenação de violência.


Além disso, como esses vídeos rapidamente mudam formatos, narrativas ou títulos, muitas vezes escapam aos filtros e algoritmos de bloqueio automáticos.



Fotos: Acervo Internet


Conclusão: entretenimento, choque e um problema social real

Não se trata apenas de “likes”, de adolescentes buscando notoriedade ou de curiosidade mórbida do público. É a intersecção entre incentivos econômicos das plataformas, comportamento humano, cultura digital e a falta de mecanismos sociais e legais fortes o bastante para frear a normalização da violência.


O resultado é uma cultura em que episódios de maus-tratos a animais não só circulam livremente, mas são replicados e amplificados, alimentando tanto a produção de novos conteúdos quanto uma indiferença preocupante de parte do público.




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