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Quando o Réveillon acaba, o que começa de verdade

  • Foto do escritor: Maison Dór Magazine
    Maison Dór Magazine
  • 2 de jan.
  • 2 min de leitura



O Réveillon termina rápido.


Os fogos cessam, as mensagens diminuem, a casa volta a um silêncio quase estranho. E é justamente nesse intervalo — entre o excesso e o cotidiano — que algo importante acontece.

O pós-Réveillon não é sobre continuar comemorando. É sobre aterrar.


Existe uma expectativa implícita de que o dia seguinte à virada seja cheio de energia, metas, decisões e listas. Mas o corpo raramente acompanha esse roteiro. Ele pede outra coisa: pausa, digestão, ajuste de ritmo. Ignorar isso costuma gerar frustração logo nos primeiros dias do ano.


Quando a festa acaba, o que sobra não é vazio. É espaço.

Espaço para perceber o cansaço acumulado, o que foi demais, o que foi bom de verdade. Espaço para sentir a casa novamente, o próprio corpo, o tempo desacelerando. O silêncio pós-Réveillon não é um problema a ser resolvido — é um convite.


Arrumar o básico ajuda. Não como ritual simbólico exagerado, mas como gesto prático. Guardar o que ficou espalhado, abrir janelas, trocar a roupa de cama. O ambiente organizado comunica ao cérebro que o excesso passou. É simples, quase banal, e extremamente eficaz.


Antes de qualquer plano, vem o corpo. Água, banho, comida simples, descanso. Clareza não nasce de frases inspiradoras, nasce de um sistema nervoso menos sobrecarregado. O erro mais comum do início do ano é tentar pensar grande com o corpo em frangalhos.


O dia 1º de janeiro não é um marco para decisões definitivas. É um dia de observação. As promessas feitas sob efeito de euforia ou exaustão raramente se sustentam. O ano não exige performance imediata — exige presença contínua.


Recomeçar não é acelerar. É alinhar.


Voltar devagar não é fraqueza, é inteligência. Quem respeita o próprio ritmo chega mais longe do que quem começa o ano correndo atrás de uma versão idealizada de si mesmo.


Talvez a melhor atitude depois do Réveillon seja guardar apenas uma coisa da noite. Não o brilho todo, não o discurso completo. Um detalhe. Uma conversa. Um pensamento que fez sentido. Um momento de silêncio confortável. Isso basta para atravessar os primeiros dias.


O Réveillon acaba para que o ano comece sem espetáculo.


Sem pressão.


Sem personagem.


Começa quando a casa está quieta, o corpo mais calmo e a vida volta ao tamanho real. É aí que o ano, finalmente, se torna habitável.



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