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O Cansaço de Ser Desejável

  • Foto do escritor: Maison Dór Magazine
    Maison Dór Magazine
  • 13 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Quando o look de verão vira obrigação

Todo verão promete liberdade. Pele à mostra, roupas leves, sol no corpo. Mas, na prática, muita gente entra na estação mais cansada do que animada. Não pelo calor — mas pela exigência silenciosa de estar sempre desejável.

Não é sobre gostar de se arrumar. É sobre sentir que você precisa performar beleza para existir socialmente.



Fotos: Acervo Internet


O verão que cobra presença estética

O verão virou um palco. E o figurino é obrigatório.

Corpo em dia. Pele sem falhas. Roupa certa para cada ocasião — praia, brunch, pôr do sol, festa, academia. Não basta estar ali. É preciso parecer bem estando ali.

A estética, que deveria ser escolha, virou pré-requisito.



Quando o espelho vira gestor de ansiedade

Você percebe que algo saiu do eixo quando:

  • abrir o guarda-roupa dá mais ansiedade do que prazer;

  • o convite para sair vem acompanhado de um cálculo mental: “tenho roupa para isso?”;

  • o corpo vira projeto de curto prazo: secar, definir, esconder.

O verão, que vende espontaneidade, entrega controle.



Fotos: Acervo Internet


A ditadura do "corpo funcional"

Não é só magreza. É um corpo funcional para o olhar alheio.

Barriga que não dobra sentada. Pele que não marca no sol. Pernas que não cansam de existir. Tudo precisa funcionar para a estética — não para o conforto.

É aí que mora o esgotamento: você não vive o corpo, você administra o corpo.



Desejável o tempo todo — até cansar

Ser desejável cansa porque não tem pausa.

A estética do verão não admite dias neutros. Não existe look médio, corpo ok, humor mais ou menos. Tudo pede intensidade, leveza, brilho.

E ninguém sustenta performance sem custo emocional.



Fotos: Acervo Internet


O novo luxo: não precisar provar nada

Há um movimento silencioso crescendo — menos visível, mas muito mais honesto.

Pessoas que:

  • repetem roupa sem culpa;

  • escolhem tecidos que abraçam, não que apertam;

  • vão à praia sem transformar o corpo em evento.

Isso não é desleixo. É maturidade estética.



Estilo como refúgio, não como vitrine

Talvez o próximo passo da moda não seja mostrar mais pele — mas exigir menos dela.

Menos obrigação de agradar. Menos esforço para caber. Mais escolha consciente.

Porque o verdadeiro frescor do verão não está no look.

Está no alívio de não precisar ser desejável o tempo todo.



Para pensar:

Você se veste para viver o dia ou para justificar sua presença nele?

Se essa pergunta incomoda, talvez não seja o calor que está pesando.

É a estética.


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