A Geração X virou o maior mercado invisível do mundo — e ninguém parece notar
- Maison Dór Magazine

- 21 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Tem uma geração pagando a conta de tudo isso. Das marcas “cool”. Das tendências que duram três meses. Dos lançamentos feitos para viralizar — e não para durar.
Ela não está no centro das campanhas. Não é chamada para opinar. Não é usada como referência estética. Mas está comprando. Silenciosamente. Consistentemente.
A Geração X aprendeu cedo que barulho demais costuma esconder pouca coisa. Talvez por isso tenha virado invisível num mercado obcecado por quem grita.
Eles não estão disputando atenção. Estão vivendo.
Enquanto todo mundo tenta parecer jovem, a Geração X está ocupada resolvendo a vida. Trabalhando, sustentando, decidindo. Comprando o que faz sentido e descartando o que é conversa fiada. Não porque “não entende o novo”, mas porque já viu o novo nascer, morrer e ser reciclado como nostalgia.
E isso muda tudo.
Essa geração não quer ser educada pelo marketing. Não precisa de tutorial emocional, nem de storytelling forçado. Ela reconhece qualidade no gesto, não no discurso. E percebe quando uma marca está tentando agradar alguém que ela definitivamente não é.
O problema é que o mercado prefere números fáceis. Likes. Views. Comentários. A Geração X não entrega nada disso. Ela não performa consumo. Ela consome — e segue em frente.
Não tem unboxing. Não tem dancinha. Não tem “me nota”.
Tem cartão passado com consciência.
Antes de “quiet luxury” virar tendência, eles já estavam lá. Comprando peças boas, casas pensadas para durar, objetos que não pedem explicação. Eles não querem provar nada para ninguém. E talvez seja exatamente isso que incomoda.
Porque como vender desejo para quem já sabe o que quer?
A Geração X não compra promessa. Compra alívio. Compra silêncio. Compra conforto sem precisar justificar. Compra marcas que não tentam ser amigas, nem jovens, nem engraçadas demais. Compra marcas que respeitam o tempo — e a inteligência — de quem já viveu o suficiente para não cair em truque.
E aqui está a ironia: enquanto o mercado corre atrás de quem ainda está “formando identidade”, ignora quem já tem a identidade formada — e o poder de escolha afinado.
Não é falta de dinheiro. É falta de atenção estratégica.
A Geração X virou o maior mercado invisível do mundo porque não pede palco. E o mercado só sabe vender para quem pede palco.
Talvez esteja na hora de inverter a lógica. Falar menos alto. Parar de explicar tanto. Criar produtos, experiências e comunicação que não subestimem quem já entendeu o jogo.
Porque, no fim, o consumo mais sólido nunca fez barulho. Ele apenas acontece.
E agora a pergunta que incomoda: sua marca está ocupada demais tentando parecer jovem… ou madura o suficiente para vender de verdade?
Quer saber mais sobre o acontece no mundo contemporâneo? Assine nossa newsletter e saiba tudo em primeira mão.








Comentários